Foi tarde... / I was late...

Atualizado: há 4 dias

PORT. Eu tardei em alguns aspectos da minha vida. Fosse num aprendizado, numa atitude, numa escolha, numa percepção... Eu tardei! E sempre soube disso, não é algo que me ocorreu ontem... Eu sei, sempre soube, aceitei e lidei. Alguns chamariam de conformismo mas não, não sou conformada, sou adaptável! Em todas as vezes que eu tardei, eu não simplesmente me conformei e segui vivendo, empurrando aquele tardio fardo, não! Eu tinha consciência daquele atraso mas eu sempre buscava uma nova perspectiva nas coisas e quando elas não existiam, daí sim, eu tinha que encarar a situação e "tirar o atraso!". Tardei em decidir o que eu ia ser quando crescer, em aceitar que a infância já tinha passado, em terminar meu noivado com meu ex-marido antes do casamento acontecer (tive duas excelentes oportunidades mas preferi adaptar! Funcionou! Não o casamento, óbvio, mas aprendi rios por ter seguido em frente e quando não deu mais, tirei o atraso).

Eu era a única na primeira aula da 1a série que não sabia escrever a palavra MUITO. Pelo menos assim creio porque quando a professora, na metade do ditado, disse: "muito mais", eu - e somente eu - levantei a cabeça, minha pequena cabeça de 6 anos de idade, com o cabelo num volume que duplicava a minha ocupação de espaço e meus dois dentes da frente relativamente grandes. Para minha sorte, a professora Cássia me olhou com carinho e sussurrou: mu-i-to. Eu tirei 10 naquele ditado. Tardei em aprender a fazer café e feijão. Eu dizia com muita naturalidade e até uma pitada de graça: "Não sei passar café nem cozinhar feijão!". Havia um fio de juventude neste "não saber fazer" que me envolvia e me agradava profundamente e quando achei que finalmente deveria aprender, fui lá e aprendi. Meu café é muito bom e meu feijão também mas sempre pode ficar melhor! Prática meus caros, prática! Tardei em pagar boletos, mas paguei. Todos esses atrasos tinham uma boa razão ou uma boa intenção por assim serem! Exceto os boletos, esses foram desorganização e esquecimento mesmo. Mas existem dois atrasos que me pesam: - Tardei em definir uma meta de vida, o que afetou enormemente a maneira como eu vivi e as atitudes que eu tive entre 2003 e 2014 - período esse que me moldou MUITO enquanto pessoa e bailarina. Esses anos teriam sido completamente diferentes se eu soubesse o que eu REALMENTE faria com tudo aquilo que a vida me apresentava, mas eu não sabia porque estava perdida! - Tardei em descascar a mim mesma e me questionar "cadê aquela menina que estava aqui, 17 anos atrás?". Se vocês conhecessem aquela menina... Ela era o que, alguns anos atrás eu chamaria de insuportável; hoje eu chamo de desabrochada. Mas aquela menina foi ficando coberta de medos, de mágoas, de obstáculos, de incertezas, de carência, de pudor, de resistência, de blues, de achismos e tudo isso se cristalizou dentro de mim. Me larguei no mundo e me perdi, criando estes dois atrasos. Eles estão sendo resolvidos mas não deixam de martelar na minha cabeça diariamente, principalmente nos últimos meses... O bom é que conviver lembrando deles e me adaptando para resolvê-los, me ajuda a detectar novos pontos onde eu possa tardar; o ruim, ainda não achei! Mas eu sou uma pessoa que tende a tardar... eu tardo, mas eu não falho!

ENG.

I was late in many aspects of my life. Whether it was in learning, in an attitude, making a choice, a perception... I was late!

And I always knew that. It's not something that occurred to me yesterday... I always knew it, accepted it and dealt with it. Some would say it is resignation, but no, I have never resigned, I always adapt! Everytime I felt I was late, I didn’t just conform and moved on, carrying around that burden, no! I was aware of the fact I had been late, but I prefer look at the situation and try to find a new perspective before accept the fail and face it.

I was late on deciding what I wanted to be when I grew up, on accepting that my childhood was gone, on breaking up my engagement with my ex-husband before the wedding happened (I had two excellent opportunities to do so, but I decided to shape up and it worked for a while... Not the marriage, obviously, but I’ve learned a lot from going through with it).


I was the only student in the 1st grade who didn’t know how to write the word “MUITO” (in Portuguese this is a word that could be an equivalent to “a lot”/ “a lot of”, or other intensifiers, for example). At least that’s what I believe, because when the teacher, during a dictation activity, said: “muito mais” (something like “a lot more”), I - and myself only - raised my head from the notebook, my tiny six-year-old head with my curly and voluminous hair that would doubled the space I occupied and two relatively large front teeth. I was lucky Ms. Cássia (we call everybody - even teachers - by their first names in Brazil) looked at me tenderly and whispered: mu-i-to.

I scored maximum on that exercise.


Late on learning how to make coffee or cook beans. I’d state very naturally, and even making fun of myself, that I had no idea how to do those things. There was a feeling of youthfulness in not having those skills which was deeply pleasant for me, and when I thought it was time to get over whit, I learned. Both my coffee and beans taste great, however there’s always room for improvement. Practice, my darlings, practice!

I was late on paying my bills (still am - sorry mama!), but I paid them all!

All these delays had a good reason or good intentions for being like so!

Except for the bills, these happened because I was not organised... or because I just forgot! But there are two delays that weigh on my conscience:

- I was late on defining my life goals, which had a huge impact on the way I lived and on my choices and attitudes from 2003 to 2014 - a time period that built me up as a person and as a dancer. These years would have been completely different if I actually knew what I was going to do with everything that was happening, but I didn’t because I was feeling lost.

- I was late on looking at myself in the mirror and questioning “Where is that girl who was here 17 years ago?”. If you knew that girl...She was what I would call a few years back: intolerable; Nowadays, I would define her as bloomed. But that girl got overwhelmed by fears, pain, obstacles, uncertainties, lack of affection, modesty, inflexibility, the blues, baseless opinions and those things were crystalized inside of me.

I was adrift in the world and lost myself on the way, creating those two delays.

I’m still in a working process with them... They keep hammering on my head on a daily basis, especially during the past months... The good thing about it is that while I'm sorting it out, I'm also detecting new aspects of life which I might get late in the future; the downside... I haven’t found them yet!

Still, I tend to be late. However, better late than never!


(Tradução: Anaíse Nóbrega)

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