• A Bailoca!

Ganhar e Perder.

Levando em consideração a minha crença de que já chegamos nessa vida com ganhos e perdas pré-estabelecidos e que, no decorrer do caminho, nossas escolhas gerarão mais destes... Então me peguei refletindo sobre o que acontece primeiro: ganhamos ou perdemos? No final de Maio, meu padrinho faleceu. Perdi. E essa perda me deixou semanas contabilizando todas as minhas outras perdas , dos últimos 20 anos, absolutamente todas relacionadas a ele. Ele era incrível, incrivelmente talentoso, generoso, teimoso. Eu o chamava de tio Dú. Desde sua partida, sábados tornaram-se dias onde vamos até sua casa para organizar, limpar e DESCOBRIR. Nós: eu, minha mãe, minha madrinha. Tio Du era o irmão mais novo de minha mãe e o segundo irmão mais velho de minha madrinha que, por sua vez, é a irmã mais nova de minha mãe que é a mais velha de 4, o time se completa com o Tito. A cada sábado, eu volto para casa com objetos de valor sentimental que quero para mim, na intenção de tê-lo por perto. Muitos destes objetos, livros. Muitos livros. Neste processo de limpar e organizar o ateliê do Tio Dú - ele era artista plástico - estou descobrindo mais dele. Suas coisas, suas acumulações, seus gostos, suas memórias. Mergulho no meu silêncio e começo a contabilizar: Perdi. Se eu não tivesse morado tantos anos fora, eu teria convivido mais com ele; Perdi. Eu deveria ter vindo visitá-lo toda semana; Perdi. Eu nem sabia que ele tinha tantas fotos minhas. Perdi. Deveria ter insistido mais para levá-lo comigo em viagens. Perdi. Eu deveria ter sido uma sobrinha melhor. Sábado. No carro, eu e minha Madrinha a caminho da casa do Tio Dú. Eu a chamo de Tata. Pensei: ela carrega bolsa cheia, como eu. Ela está bonita de turbante. Ela está cansada. Minha madrinha diz: "tem uma sacola para você no banco de trás!". Tâmaras, ameixas, suco de uva. Comentei que gostava no sábado passado àquele. Continuei pensado. Estes sábados tem me feito conviver com minha madrinha mais do que os últimos 2 anos. Terça feira fui até a casa dela e por alguma razão, entrei em seu escritório. Apoiada na lateral da estante, estavam duas fotos: uma pequena Polaroid que tirei dela e de minha filha recém-nascida. A 0utra foto maior, ela jovem segurando um bebê. Duas fotos idênticas, mesma pose, mesmo olhar para os bebês separadas por 34 anos. O bebê da foto maior sou eu. Não sabia que ela me tinha ali. Perdi meu tio. E agora tenho minha Madrinha todos os sábados. Ganhei. Eu nem sabia que ela tinha fotos minhas. Ganhei. Eu deveria ter sido uma sobrinha melhor... Eu ainda posso ser. Ganhei. "Perdi meu tio, ganhei minha Madrinha". Ganhei de passar horas perdida no ateliê dele, descobrindo os livros que ele gostava de ler, aprendendo como ele separava os lápis e canetas por projeto, em latinhas. Encontrei uma foto dele comigo, eu tinha 3 anos e era meu aniversário. Estávamos no quintal de minha avó. O tema da minha festa era Cinderela e ele fez uma carruagem. Na foto estou no seu colo e ele me cheira na bochecha, assim como eu hoje, faço com minha filha. Então não tem ordem. Só devemos estar alerta para saber a hora certa de comemorar e de ressignificar.

A vida continua e eu sigo perdendo e ganhando.

É tempo de VIVER!.

Obrigada tio Dú!


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