Ganhar & Perder / To win & to loose!

Atualizado: Abr 27

PORT: Levando em consideração a minha crença de que já chegamos nessa vida com ganhos e perdas pré-estabelecidos e que, no decorrer do caminho, nossas escolhas gerarão mais destes... Então me peguei refletindo sobre o que acontece primeiro: ganhamos ou perdemos? No final de Maio, meu padrinho faleceu. Perdi. E essa perda me deixou semanas contabilizando todas as minhas outras perdas, dos últimos 20 anos, absolutamente todas relacionadas a ele. Ele era incrível, incrivelmente talentoso, generoso, teimoso. Eu o chamava de tio Dú. Desde sua partida, sábados tornaram-se dias onde vamos até sua casa para organizar, limpar e DESCOBRIR. Nós: eu, minha mãe, minha madrinha. Tio Du era o irmão mais novo de minha mãe e o segundo irmão mais velho de minha madrinha que, por sua vez, é a irmã mais nova de minha mãe que é a mais velha de 4, o time se completa com o Tito. A cada sábado, eu volto para casa com objetos de valor sentimental que quero para mim, na intenção de tê-lo por perto. Muitos destes objetos, livros. Muitos livros. Neste processo de limpar e organizar o ateliê do Tio Dú - ele era artista plástico - estou descobrindo mais dele. Suas coisas, suas acumulações, seus gostos, suas memórias. Mergulho no meu silêncio e começo a contabilizar: Perdi. Se eu não tivesse morado tantos anos fora, eu teria convivido mais com ele; Perdi. Eu deveria ter vindo visitá-lo toda semana; Perdi. Eu nem sabia que ele tinha tantas fotos minhas. Perdi. Deveria ter insistido mais para levá-lo comigo em viagens. Perdi. Eu deveria ter sido uma sobrinha melhor. Sábado. No carro, eu e minha Madrinha a caminho da casa do Tio Dú. Eu a chamo de Tata. Pensei: ela carrega bolsa cheia, como eu. Ela está bonita de turbante. Ela está cansada. Minha madrinha diz: "tem uma sacola para você no banco de trás!". Tâmaras, ameixas, suco de uva. Comentei que gostava no sábado passado àquele. Continuei pensado. Estes sábados tem me feito conviver com minha madrinha mais do que os últimos 2 anos. Terça feira fui até a casa dela e por alguma razão, entrei em seu escritório. Apoiada na lateral da estante, estavam duas fotos: uma pequena Polaroid que tirei dela e de minha filha recém-nascida. A 0utra foto maior, ela jovem segurando um bebê. Duas fotos idênticas, mesma pose, mesmo olhar para os bebês separadas por 34 anos. O bebê da foto maior sou eu. Não sabia que ela me tinha ali. Perdi meu tio. E agora tenho minha Madrinha todos os sábados. Ganhei. Eu nem sabia que ela tinha fotos minhas. Ganhei. Eu deveria ter sido uma sobrinha melhor... Eu ainda posso ser. Ganhei. "Perdi meu tio, ganhei minha Madrinha". Ganhei de passar horas perdida no ateliê dele, descobrindo os livros que ele gostava de ler, aprendendo como ele separava os lápis e canetas por projeto, em latinhas. Encontrei uma foto dele comigo, eu tinha 3 anos e era meu aniversário. Estávamos no quintal de minha avó. O tema da minha festa era Cinderela e ele fez uma carruagem. Na foto estou no seu colo e ele me cheira na bochecha, assim como eu hoje, faço com minha filha. Então não tem ordem. Só devemos estar alerta para saber a hora certa de comemorar e de ressignificar. A vida continua e eu sigo perdendo e ganhando.

É tempo de VIVER... Obrigada tio Dú!

ENG: I believe we come into this life with pre-established wins and losses and, along the way, our choices will get us more of those… So I caught myself thinking about what comes first: do we win? or do we lose?

At the end of May, my godfather passed away. I lost him.

And this loss left me for weeks counting the other losses I had, from the last 20 years, all related to him somehow.

He was amazing, incredibly talented, generous, stubborn. I used to call him uncle Du.


Ever since he's gone, Saturdays became the days we go to his place to organize, clean and DISCOVER.

All of us: me, my mom, my godmother.

Tio Du was my Godfather and my mama's youngest brother together with Tata, my Godmother and also my mama's youngest sister. My mama is the oldest of 4; Tito complets the team!


Every Saturday, I come back home with trinkets of sentimental value I want for myself, to keep him close. Mostly books. Lots of books.

In the process of cleaning and organizing uncle Du’s atelier (he was a painter) I’m getting to know him more. His objects, his stockpiles, his hobbies, his memories. And I begin to count, silently:

Loss #1 - If I hadn’t lived so many years abroad, I would have had more time with him;

Loss #2 - I should have visited him every week;

Loss #3 - I never knew he had so many pictures of me.

Loss #4 - I should have taken him on more trips with me. I should have insisted more.

Loss #5 - I should have been a better niece.


Saturday again. In the car, my Godmother (Tata) and I on our way to uncle Du’s.

Thoughts on her: she carries a handbag stuffed with her things, just like me. She looks pretty wearing a turban. She’s tired.

She tells me: “There’s a bag for you in the backseat!”.

Dates, plums, grape juice. On the previous week I mentioned I liked them.

I kept thinking.

These Saturdays made me hang out with my Godmother more than I had in the past 2 years or more!

On Tuesday I went to her house and for some reason, I entered her office. Beside the shelf I could see two pictures: a small Polaroid I took of her with my newborn daughter. The other was a younger version of her, holding another baby. Two identical photos, same pose, same gaze at the babies 34 years apart. The baby in the second photo was me.

I didn’t know she had me in there. I couldn't hold my tears.


I lost my Godfather.

And now I have my Godmother every Saturday. I won.

I didn’t even know she had pictures of me. I won.

I should have been a better niece...And now I can be. I won.

I also won the opportunity to spend hours adrift in his atelier, discovering his favorite books, learning how he’d organize his pencils and pens (by project, in cans) and much more!

I found a picture of us, I was 3 and it was my birthday. We were in my grandma’s backyard and the theme was Cinderela. He made a carriage! In the photo, he’s kissing my cheek while I’m sitting on his lap, much like I do with my daughter today.


So there’s no order.

We just have to keep vigilant - to know the right time to celebrate and to find new meanings.

Life goes on, and so do I - winning and losing.

It’s time to LIVE... Thanks, uncle Du! (Tradução: Anaíse Nóbrega)


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