• A Bailoca!

Os brancos ficam!

Tenho cabelos brancos desde os 14 anos. É genético. Já sabendo da história de minha mãe, que ganhou sua mecha frontal prateada aos 17 anos, eu confesso ter esperado ansiosamente a minha chegar! Eu tinha certeza que seria uma adolescente com uma mecha branca cacheada, estrategicamente jogada para o lado direito... Mas não foi bem assim! No lugar de uma mecha, 60% do meu couro cabeludo começou a nascer branquinho, tornei-me uma grisalha na puberdade! Decepcionada mas não muito abalada - adolescente, amores, adolescente! - comprei com a minha mesada uma caixinha de tinta para cabelos na cor castanho escuro e fui num salão modesto aqui próximo de casa. Um rapaz me atendeu e eu disse: "Passa essa caixinha toda aqui no cabelo!" - muito me surpreende lembrar que eu fui num salão para pintar meus cabelos, eu sempre fui muito de fazer as coisas eu mesma... Devo ter pensado que, se fosse num salão onde a chance de dar errado seria menor, a bronca de minha mãe também seria. Não foi. Meus cabelos naturais são castanhos, castanho médio para ser mais precisa. De castanho escuro fui para o acaju, para o preto, para o preto azulado, tira tudo e volta castanho, castanho com mechas loiras (grossas, praticamente um listrado de zebra, obra de uma cabeleireira tunisiana que prometo detalhar num próximo texto, vai valer cada linha!), voltei para o preto, descolore tudo e vai para o chocolate e do chocolate para o vermelho alaranjado; seguimos a história com um tom meio mel/guaraná (amava este tom mas minha conta bancária, não!) e por fim, voltei para o preto. Ufa! No ano de 2016 engravidei. Parei de pintar. Ao final da gravidez e devido a uma promessa, fiquei mais um ano com os cabelos sem pintar, chegando em 27/03/2017 com um cabelo "quase channel" grisalho. A idéia era fazer um corte chanel e terminar de descolorir o que sobrara, me deixando completamente branquinha porém, pitacos aqui, comentários ali... Decidi que não! Segue o bonde da coloração! 10/04/2020, semana passada, decidi que não mais pintarei meus cabelos. O que eu quero dizer com este texto de uma mulher escrava de kits "pinte em casa" é: isto faz parte do meu processo atual (leia o texto anterior) de: não mais basear minhas decisões na opinião/padrão dos outros.

Se você está lendo isso e me deu um conselho do tipo: "pinta, você ainda é muito jovem para assumir o branco", calma... Eu gosto de você, te adoro, te amo (dependendo da nossa história), nada vai mudar! Mas você vai ter que gostar de mim mesmo assim, entende? Talvez não fique bonito, talvez eu fique ainda mais fora do padrão (do que já sou)... Tenho mais pelo menos uns 3 talvez-es para acrescentar mas vou pular para o último: talvez fique tudo bem! Tenho vaidades mais urgentes como manicure, fazer a sobrancelha, me maquiar, perfumes, roupas bem lisas (de estampa e de ferro), café com leite em abundância para citar algumas - vaidades estas que hoje posso me conceder, ainda existe a lista das que ainda não posso... AINDA! Já fiz uma lista de coisas que posso comprar com os R$7,99 (se fosse a caixinha da Alfaparf em promoção) ou com os R$22,50 que normalmente equivale a um Koleston ou Wella... (Lembrei de minha avó agora, Dona Dija (Dejanira)... Minha infância teve muitas cores - inclusive a 8.3 da L'oreal, o loiro dela! Sempre pedia para pintar suas raízes e ela nunca deixava - pessoa responsável foi minha querida avó!) Como também já fiz as contas de quanto vou economizar! Gastando ou economizando, finalizo este relato pessoal e talvez, fútil, poeticamente concluindo que... o futuro é prata! Os brancos ficam!

Foto: Emilson da Silva.

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