• A Bailoca!

Vale varrer!

Eu adoro varrer a casa, eu adoro varrer! Pegar a vassoura e me concentrar naquele pedaço de chão é extremamente calmante e meditativo para mim. Eu sei todas as falhas, manchas, buraquinhos e afins que tem no chão da minha casa. Não dispenso uma oportunidade! Quando digo para as pessoas que varro minha casa, a primeira coisa que escuto é: "Mas você não tem aspirador? É bem melhor!". Realmente, é mais prático e sim, eu tenho. Mas aspirador faz barulho e não me deixa pensar, eu acelero o processo, quero terminar rápido para sentir o alívio de desligar aquele aparelho. Varrer é quieto, é lento... Se você fizer com pressa e sem precisão, vai sujar mais do que limpar. É preciso ter atenção, pensar, revisar o espaço. Observando a poeira/sujeira de minha casa, relembro o que se passou nas últimas horas, descubro um rabisco novo de canetinha e giz de cera e pequenos brinquedos "debaixo de algum lugar" (estas descobertas são limpas e quando devolvidas para a dona, me geram muitos beijos, sorrisos e um "Mãe, você é demais!"). Junto tudo com esmero num montinho e recolho. É um treino para quando vem os problemas, as dores, as mágoas, as decepções. Cada uma dessas coisas geram "sujeiras e poeiras"... Gritos, lágrimas, palavras, deslocamentos, questionamentos que depois de se espalharem por mim e ao meu redor, eu "varro", observo, junto tudo e recolho. Uma vez eu fiz um vídeo onde eu dizia que "você é o que você espalha" e eu acredito muito nisso! Jamais quero deixar de me espalhar porque é nesse processo que eu gero oportunidades de varrer e fazer um balanço daquilo que foi transbordado. Rever o que vale a pena espalhar de novo, o que pode ser melhorado antes de transbordar e aquilo que não voltará a se espalhar... Nem tudo precisa ser colocado para fora, pelo menos para mim! E o ciclo segue... Varrer me lembra minha avó. Varrer me faz lembrar de onde eu estou. Varrer me faz olhar meus pés da mesma forma que eu os olho quando danço: com orgulho (sim, eu olho para meus pés enquanto danço). Varrer é cuidar, é dar atenção, é um tipo de carinho para com aquele solo que você está pisando... E eu tenho muito, mas muito apreço por todos os solos por onde passei, pisei, dancei, me joguei e dei "aquela batidinha!". Fica meu conselho, com carinho... Vale varrer! Vale varrer quando não souber o que fazer, quando estiver inquieta, quando necessitar de eixo. Escute o barulho que a vassoura faz, a pressão, observe, controle, sinta. Junta tudo e recolhe. Um ato simples e de consequências fortíssimas... como a vida.


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