Vale varrer! / Sweeping is worth it!

Atualizado: Abr 27

PORT: Eu adoro varrer a casa, eu adoro varrer! Pegar a vassoura e me concentrar naquele pedaço de chão é extremamente calmante e meditativo para mim. Eu sei todas as falhas, manchas, buraquinhos e afins que tem no chão da minha casa. Não dispenso uma oportunidade! Quando digo para as pessoas que varro minha casa, a primeira coisa que escuto é: "Mas você não tem aspirador? É bem melhor!". Realmente, é mais prático e sim, eu tenho. Mas aspirador faz barulho e não me deixa pensar, eu acelero o processo, quero terminar rápido para sentir o alívio de desligar aquele aparelho. Varrer é quieto, é lento... Se você fizer com pressa e sem precisão, vai sujar mais do que limpar. É preciso ter atenção, pensar, revisar o espaço. Observando a poeira/sujeira de minha casa, relembro o que se passou nas últimas horas, descubro um rabisco novo de canetinha e giz de cera e pequenos brinquedos "debaixo de algum lugar" (estas descobertas são limpas e quando devolvidas para a dona, me geram muitos beijos, sorrisos e um "Mãe, você é demais!"). Junto tudo com esmero num montinho e recolho. É um treino para quando vem os problemas, as dores, as mágoas, as decepções. Cada uma dessas coisas geram "sujeiras e poeiras"... Gritos, lágrimas, palavras, deslocamentos, questionamentos que depois de se espalharem por mim e ao meu redor, eu "varro", observo, junto tudo e recolho. Uma vez eu fiz um vídeo onde eu dizia que "você é o que você espalha" e eu acredito muito nisso! Jamais quero deixar de me espalhar porque é nesse processo que eu gero oportunidades de varrer e fazer um balanço daquilo que foi transbordado. Rever o que vale a pena espalhar de novo, o que pode ser melhorado antes de transbordar e aquilo que não voltará a se espalhar... Nem tudo precisa ser colocado para fora, pelo menos para mim! E o ciclo segue... Varrer me lembra minha avó. Varrer me faz lembrar de onde eu estou. Varrer me faz olhar meus pés da mesma forma que eu os olho quando danço: com orgulho (sim, eu olho para meus pés enquanto danço). Varrer é cuidar, é dar atenção, é um tipo de carinho para com aquele solo que você está pisando... E eu tenho muito, mas muito apreço por todos os solos por onde passei, pisei, dancei, me joguei e dei "aquela batidinha!". Fica meu conselho, com carinho... Vale varrer! Vale varrer quando não souber o que fazer, quando estiver inquieta, quando necessitar de eixo. Escute o barulho que a vassoura faz, a pressão, observe, controle, sinta. Junta tudo e recolhe. Um ato simples e de consequências fortíssimas... como a vida.

ENG: I love sweeping the floor! Taking up a broom and focusing my energy on cleaning the floor is extremely soothing and even meditative for me. I know all of the flaws, stains, tiny little holes and such, which are part of my floor. I never miss an opportunity! When I tell people I clean my house with a broom, the first thing I hear is: “Why don’t you use a vacuum cleaner? It’s a lot better!”. In fact it is more practical and yes I have one. But it is noisy, it doesn’t allow me to think, I rush through the process, I wanna finish it quickly to have the silence back into my ears when I turn it off. Sweeping is slow, quiet... If you’re not precise, if you rush you’ll make more of a mess rather than clean. One must be attentive and review the space.

By observing the dust/dirt in my home, I’m able to remember what has happened in the last few hours, I discover new doodles - made with crayons and markers - and also find some small toys underneath the furniture (these discoveries are then cleaned, organised and, when returned to their owner, I get paid with kisses, smiles and “Mom, you’re awesome!”). I gather everything with loving care. It serves as practice for when problems, pains, sorrows and disappointments come. Each of these causes “dust and dirt”. Screams, tears, words, movement, questions that after scattering through me are “swept”, noticed and gathered.

I made a video a few years back in which I say “you are what you spread” and I truly believe that! I’ll never stop spreading bits of myself because it’s in this process that I can sweep everything and balance what has overflowed. I’ll review what’s worth spreading again, what can be improved and what I won’t keep spreading anymore…. And so it goes! Sweeping reminds me of my grandma. Sweeping reminds me where I am. It makes me look at my feet the same way I do when I’m dancing: with pride (yes, I look at my feet while I dance). Sweeping is taking care, giving attention, it’s a way of looking after the soil you step on...And I carry lots of appreciation for all the soils I’ve been through, stepped, danced and had fun and gave “that final slap!”.

Here’s a humble advice, with love... Sweeping is worth it! When you don’t know what to do, when you feel uneasy, when you need to find your balance. Hear the noise of the broom, feel the pressure, observe, control it. Gather it all. A simple action with huge consequences...much like life itself!

(Tradução: Anaíse Nóbrega)


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